jan
05
2009

Empresário leva quatro tiros e atribui crime a delegado de polícia

No dia em que a Prefeitura do Rio deu início à operação Choque de Ordem e demoliu 34 imóveis no Recreio dos Bandeirantes, o empresário Carmindo Conceição dos Santos, 57 anos, envolvido em uma disputa por terreno na região, foi emboscado por dois homens e atingido por quatro tiros, por volta das 10h. Ele aponta policiais ligados à milícia da área como os responsáveis pelo crime. O terreno alvo da disputa, na Rua Senador Rui Carneiro, tem 900 metros quadrados e fica na localidade conhecida como Terreirão. A briga da família do empresário pelo imóvel na Justiça é contra o delegado Anderson Júlio Ferreira D’Azevedo, lotado na 62ª DP (Imbariê), Duque de Caxias, Baixada Fluminense.

“No dia 30 eu recebi ameaças de morte, que diziam para eu deixar o terreno do delegado. Esse atentado está relacionado à milícia”, afirmou o empresário que também é advogado, mas está suspenso pela OAB-RJ, desde outubro, por infringir o código de ética.

Carmindo, que estava em uma Pajero Sport Mitsubishi, disse que foi cercado por dois homens em um Palio preto, na Avenida Gláucio Gil, uma das mais movimentadas do bairro. Um dos criminosos, encapuzado, abriu a porta do carro e fez os disparos. Mesmo ferido no braço esquerdo e nas costas, ele ainda bateu no veículo dos bandidos e conseguiu chegar ao hospital Rio Mar, onde está internado. O caso foi registrado na 16ª DP (Barra da Tijuca) como tentativa de homicídio. “Vamos periciar o veículo, ouvir os parentes e saber se na região há câmeras”, afirmou Carlos Augusto Nogueira, delegado-titular da 16ª DP. Procurado por O DIA, o delegado Anderson Júlio Ferreira D’Azevedo negou as acusações e disse que vai representar contra a família da vítima na Justiça. No terreno, hoje, há 12 lojas e ninguém fala sobre o crime.

Desde de 2006 a família do empresário e o delegado Anderson Júlio brigam pelo terreno na Justiça. Na primeira ação de reintegração de posse, Anderson ganhou. Porém, em uma nova disputa, a família do empresário retomou o direito à propriedade na 4ª Vara Cível da Barra da Tijuca. Desta vez, em uma ação de reivindicação do terreno, decidida dia 19. Carmindo fez acusações contra Anderson Júlio na Corregedoria Geral Unificada (CGU), mas a sindicância foi arquivada na Corregedoria da Polícia Civil.

TERRENO FOI USADO PELA PM COMO ESTACIONAMENTO

O disputado terreno entre o delegado e o empresário serviu de estacionamento de viaturas quebradas da antiga sede do 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes). O comandante, coronel Paulo Mouzinho, disse que respondeu a dois Inquéritos Policial Militar (IPMs), arquivados, por denúncias feitas pelo empresário Carmindo da Conceição dos Santos.

“Fui à Justiça prestar esclarecimento. Não sei de quem é o terreno. À época, quem apresentou a documentação foi o delegado Anderson Júlio”, disse Mouzinho. Ontem, o empresário mostrou gravação de uma das conversas sobre o terreno com o coronel, feitas há dois anos. “Também já tive acesso a essa conversa, que não prova nada de irregular da minha parte. Mas esse empresário é um grileiro. Falo isso porque já falei na Justiça na frente dele”, afirmou Mouzinho. Para o advogado Marcelo Pereira Repsold, que representa o empresário, seu cliente está em busca de justiça. “Ele é o dono do terreno.

No passado, emprestou ao batalhão e, em 2006, o delegado se apropriou indevidamente”, afirmou Repsold. O empresário tem problemas com a polícia, confirmados pelo advogado. “Há casos de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, disputa de posse, mas muitos prescreveram. Há um processo de tentativa de homicídio, quando invadiram a casa dele em um dia de festa, mas ele será absolvido”, disse.





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